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Informações: 2008.02.16

«O prazer de Navegar por esse rio acima...» in "Hidrográfico" - a nova revista do Instituto Hidrográfico.

O Instituto Hidrográfico, durante a edição de 2008 da Nauticampo, lançou uma nova Revista "Hidrográfico", de periodicidade anual, dedicada à náutica de recreio, à pesca e, de uma forma geral, a todos os amantes do mar.

Esta "vaga" de mudança do IH, está suportada numa nova imagem do Instituto, que começou com a alteração do "logo" e com uma ampla reformulação do seu site na Internet.

A Direcção da ANMPN foi convidada a colaborar na primeira edição da Revista Hidrográfico, através da preparação de um artigo para ser inserido na secção "Opinião".

Este convite, que muito nos honra por podermos colaborar com uma instituição de referência e de elevado prestígio no conhecimento dos Oceanos e da temática ligada ao Mar como é o Instituto Hidrográfico, foi consubstanciado no artigo "O prazer de Navegar por esse rio acima...", o qual, espelha a visão da ANMPN para a dinamização da náutica de recreio e do turismo de vertente náutica no Grande Estuário do Tejo.

Para conhecimento dos nossos associados e demais visitantes do site da ANMPN, reproduzimos abaixo o artigo na sua íntegra. No rodapé da página, encontrará também um link a partir do qual poderá efectuar o download da versão "pdf" da Revista "Hidrográfico".

Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN


Opinião: O prazer de Navegar por esse rio acima...

(in Revista Hidrográfico 2008 - Página 23).

Há alguns anos a esta parte, quando completava a minha formação náutica com o Curso de Patrão de Alto Mar e necessitei de rever os meus conhecimentos de astronomia, recordo-me de fazer uma pesquisa na Internet sobre “navegação astronómica” e ficar surpreendido com o número de sites estrangeiros onde a homenagem aos navegadores portugueses e a exaltação a tudo aquilo que fizeram pela arte de navegar era uma constante.
Lamentavelmente, a pouco e pouco, fomos abandonando a nossa vocação marítima e atlântica e há já hoje quem se refira a Portugal como o País dos centros comerciais, onde os portugueses passam grande parte dos seus tempos livres, pese embora o excepcional clima e a extensão de áreas costeiras, estuarinas e de outras zonas naturais que possuímos.

Durante a Conferência que a ANMPN – Associação Náutica da Marina do Parque das Nações – organizou na Nauticampo 2007, subordinada ao tema “O desenvolvimento da náutica de recreio, do turismo de vertente náutica e das zonas ribeirinhas, no Grande Estuário do Tejo", uma das apresentações efectuou uma comparação entre os planos de água do Estuário do Tejo e do Solent no Sul de Inglaterra. Apesar do Estuário do Tejo beneficiar de muito melhor clima, de uma excepcional beleza natural e de uma proximidade aos centros urbanos, a actividade náutica no Tejo pode ser considerada marginal (~3000 embarcações) quando comparada com o Solent onde existem 35.000 embarcações, 25 marinas e centenas de ancoradouros.

Por outro lado, a aposta na náutica de recreio efectuada no Solent, com a criação de um conjunto de destinos suportados em infra-estruturas adequadas e bem geridas, conduziu ao desenvolvimento de um conjunto de actividades conexas à náutica e ao lazer (estaleiros, bares, pubs, restaurantes, hotéis, etc.), existindo mesmo o exemplo da cidade "Cowes" - capital da vela em Inglaterra, cuja economia está baseada na náutica de recreio.

O que fazer então para potenciar o desenvolvimento de uma “cultura náutica” capaz de inverter a actual situação e potenciar o desenvolvimento sustentável neste domínio?

A visão da ANMPN para este desenvolvimento passa necessariamente pela criação de infra-estruturas ligeiras ao longo do estuário, que permitam o acesso às diferentes zonas ribeirinhas através do plano de água. Quando falamos de estruturas ligeiras, referimo-nos à existência de um Pontão, de um Fundeadouro suportado numa Teia de Poitas, de um Regulamento de Utilização e de uma Entidade Responsável que faça a gestão do fundeadouro de acordo com o estabelecido no regulamento. Por outro lado, os organismos ligados ao turismo associados a cada um dos destinos, deverão promover as atracções do local, de modo a incentivar os programas de visita a estes destinos estimulando o prazer de navegar por esse rio acima…!

Existem já alguns exemplos ao longo do estuário, ainda que tímidos e muito condicionados, face à ausência de uma estratégia neste domínio. Efectivamente, na maior parte dos casos, o pontão está ocupado por embarcações locais que condicionam o acesso aos visitantes, não existe fundeadouro ou, quando existe, a ausência de entidade responsável e do respectivo regulamento de utilização são também uma constante.

Que papel para a Marina do Parque das Nações?

A Marina do Parque das Nações, que será uma realidade no início do verão do próximo ano, quer pela sua posição estratégica no estuário, quer por estar inserida no local mais visitado do País ( ~ 22 milhões de visitantes por ano), deverá ter um papel fundamental na divulgação e promoção destes destinos. Nesse sentido, a ANMPN, em articulação com a MPN/ParqueExpo’98,SA, procurará estabelecer e dinamizar um conjunto de actividades, susceptíveis de incentivarem o gosto pela prática da náutica de recreio e pelo prazer de navegar no grande estuário do Tejo, em pleno respeito pelo meio ambiente e pela cultura das populações ribeirinhas. De volta ao mar… será esse o nosso contributo para recuperar uma cultura náutica que, lamentavelmente, se foi perdendo ao longo dos últimos tempos.

Paulo Andrade
Presidente da Direcção da ANMPN
presidente@anmpn.pt

in Revista Hidrográfico 2008

NOTA: Para visitar o site do Instituto Hidrográfico e efectuar o download da Revista "Hidrográfico" clique aqui

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