A Direcção da ANMPN foi convidada a colaborar na primeira edição da Revista Hidrográfico, através da preparação de um artigo para ser inserido na secção "Opinião".
Este convite, que muito nos honra por podermos colaborar com uma instituição de referência e de elevado prestígio no conhecimento dos Oceanos e da temática ligada ao Mar como é o Instituto Hidrográfico, foi consubstanciado no artigo "O prazer de Navegar por esse rio acima...", o qual, espelha a visão da ANMPN para a dinamização da náutica de recreio e do turismo de vertente náutica no Grande Estuário do Tejo.
Para conhecimento dos nossos associados e demais visitantes do site da ANMPN, reproduzimos abaixo o artigo na sua íntegra. No rodapé da página, encontrará também um link a partir do qual poderá efectuar o download da versão "pdf" da Revista "Hidrográfico".
Saudações Náuticas,
A Direcção da ANMPN |
Opinião: O prazer de Navegar por esse rio acima...
(in Revista Hidrográfico 2008 - Página 23).
Há alguns anos a esta parte, quando
completava a minha formação náutica
com o Curso de Patrão de Alto Mar e
necessitei de rever os meus conhecimentos
de astronomia, recordo-me de fazer uma
pesquisa na Internet sobre “navegação
astronómica” e ficar surpreendido com o
número de sites estrangeiros onde a
homenagem aos navegadores portugueses
e a exaltação a tudo aquilo que fizeram pela arte de navegar era uma constante.
Lamentavelmente, a pouco e pouco,
fomos abandonando a nossa vocação
marítima e atlântica e há já hoje quem se
refira a Portugal como o País dos centros
comerciais, onde os portugueses passam
grande parte dos seus tempos livres, pese
embora o excepcional clima e a extensão
de áreas costeiras, estuarinas e de outras zonas naturais que possuímos.
Durante a Conferência que a ANMPN –
Associação Náutica da Marina do Parque
das Nações – organizou na Nauticampo
2007, subordinada ao tema “O desenvolvimento
da náutica de recreio, do turismo
de vertente náutica e das zonas ribeirinhas,
no Grande Estuário do Tejo", uma das
apresentações efectuou uma comparação
entre os planos de água do Estuário do Tejo
e do Solent no Sul de Inglaterra. Apesar
do Estuário do Tejo beneficiar de muito melhor clima, de uma excepcional beleza natural e de uma proximidade aos centros
urbanos, a actividade náutica no Tejo
pode ser considerada marginal (~3000
embarcações) quando comparada com o
Solent onde existem 35.000 embarcações, 25 marinas e centenas de ancoradouros.
Por outro lado, a aposta na náutica de
recreio efectuada no Solent, com a criação de um conjunto de destinos suportados
em infra-estruturas adequadas e bem
geridas, conduziu ao desenvolvimento de
um conjunto de actividades conexas à
náutica e ao lazer (estaleiros, bares, pubs,
restaurantes, hotéis, etc.), existindo mesmo o exemplo da cidade "Cowes" - capital da
vela em Inglaterra, cuja economia está
baseada na náutica de recreio.
O que fazer então para potenciar o
desenvolvimento de uma “cultura náutica”
capaz de inverter a actual situação e
potenciar o desenvolvimento sustentável
neste domínio?
A visão da ANMPN para este desenvolvimento
passa necessariamente pela criação
de infra-estruturas ligeiras ao longo do
estuário, que permitam o acesso às diferentes
zonas ribeirinhas através do plano
de água. Quando falamos de estruturas
ligeiras, referimo-nos à existência de um
Pontão, de um Fundeadouro suportado numa Teia de Poitas, de um Regulamento de
Utilização e de uma Entidade Responsável
que faça a gestão do fundeadouro de acordo
com o estabelecido no regulamento. Por
outro lado, os organismos ligados ao
turismo associados a cada um dos destinos,
deverão promover as atracções do local,
de modo a incentivar os programas de visita
a estes destinos estimulando o prazer de
navegar por esse rio acima…!
Existem já alguns exemplos ao longo
do estuário, ainda que tímidos e muito condicionados, face à ausência de uma
estratégia neste domínio. Efectivamente,
na maior parte dos casos, o pontão está
ocupado por embarcações locais que
condicionam o acesso aos visitantes, não
existe fundeadouro ou, quando existe, a ausência de entidade responsável e do
respectivo regulamento de utilização são
também uma constante.
Que papel para a Marina
do Parque das Nações?
A Marina do Parque das Nações, que
será uma realidade no início do verão do
próximo ano, quer pela sua posição estratégica
no estuário, quer por estar inserida
no local mais visitado do País ( ~ 22 milhões
de visitantes por ano), deverá ter um papel
fundamental na divulgação e promoção
destes destinos. Nesse sentido, a ANMPN,
em articulação com a MPN/ParqueExpo’98,SA,
procurará estabelecer e dinamizar um conjunto de actividades, susceptíveis de
incentivarem o gosto pela prática da náutica
de recreio e pelo prazer de navegar no
grande estuário do Tejo, em pleno respeito
pelo meio ambiente e pela cultura das
populações ribeirinhas. De volta ao mar…
será esse o nosso contributo para recuperar
uma cultura náutica que, lamentavelmente,
se foi perdendo ao longo dos últimos tempos.
Paulo Andrade
Presidente da Direcção da ANMPN
presidente@anmpn.pt
in Revista Hidrográfico 2008
NOTA: Para visitar o site do Instituto Hidrográfico e efectuar o download da Revista "Hidrográfico" clique aqui
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