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| Informações:2009-03-31 |
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«A Marinha do Tejo» in "Hidrográfico" - Revista do Instituto Hidrográfico.
Durante a Nauticampo 2008 o Instituto Hidrográfico lançou uma nova revista - Hidrográfico - de periodicidade anual, dedicada à náutica de recreio, à pesca e, de uma forma geral, a todos os amantes do mar. A Direcção da ANMPN foi, na altura, convidada a colaborar na primeira edição daquela Revista, situação que foi concretizada pela preparação do artigo "O prazer de navegar por esse rio acima" que se encontra inserido no presente Site.
Este ano, o Instituto Hidrográfico endereçou-nos novamente convite para elaborarmos um artigo para ser inserido na edição n.º 2 da Revista Hidrográfico que foi distribuída durante a Nauticampo 2009, que decorreu no passado mês de Fevereiro. A resposta da Direcção da ANMPN ao convite do IH, que mais uma vez muito nos honrou, foi consubstanciado na preparação do artigo "A Marinha do Tejo", que transcrevemos abaixo na íntegra, para conhecimento dos nossos associados e visitantes do site.
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A Marinha do Tejo - (in Revista Hidrográfico @ Fevereiro 2009) |
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Num fim-de-semana de Julho 2005, quando velejava no Mar da Palha com uns amigos junto à Base Aérea do Montijo, sensivelmente em frente ao local designado na Carta 26306 como “Casa Branca”, decidimos fundear e preparar o cockpit da embarcação para um lanche de final de tarde.
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Já fundeados, nada fazia prever que daquela posição, iríamos desfrutar de um magnífico espectáculo proporcionado por uma Regata de Embarcações Típicas do Tejo que, de repente, saiu do Canal do Montijo e seguiu para montante na, Cala de Samora, passando bastante próximo do local onde estávamos fundeados.
As nossas câmaras fotográficas foram registando as magníficas imagens proporcionadas pela Regata no grande estuário do Tejo, naquele que é o maior espelho de água da Europa, e dias depois, publicámos as excelentes fotografias conseguidas no site da Associação Náutica da Marina do Parque das Nações em www.anmpn.pt, sem que, na altura, conhecêssemos ainda com rigor a verdadeira origem das embarcações, nem tão pouco, a entidade organizadora daquele evento.
Alguns meses mais tarde, fomos contactos por um elemento da Direcção do CNM - Centro Náutico Moitense, que depois de nos agradecer a divulgação das imagens da Regata de Embarcações Típicas “Moita – Samouco”, convidou-nos para visitar o Centro para estudarmos possíveis formas de colaboração. A visita veio a ter lugar já em 2006, durante a qual os elementos da Direcção da ANMPN puderam testemunhar “in loco”, o excelente trabalho desenvolvido pelo CNM e pela ANS – Associação Naval Sarilhense, na preservação do património associado às embarcações típicas do Tejo.
Na altura, durante o almoço de confraternização que nos foi gentilmente oferecido pelo CNM, trocámos impressões com o Senhor Prof. Carvalho Rodrigues, membro da Direcção daquele Centro Náutico, sobre a necessidade de um Regulamento que definisse as características das Embarcações Típicas do Tejo, a partir do qual fosse possível definir um estatuto que protegesse este património e incentivasse a sua preservação. Logo ali, ficou selado o compromisso da ANMPN proporcionar um espaço no seu stand da edição da Nauticampo de Fev. 2007, para expor uma embarcação típica do Tejo, bem como, encetarmos de forma articulada a divulgação de eventos náuticos, fazendo a “ponte” entre as associações de ambas as margens do Tejo, e trabalharmos em conjunto pelo estabelecimento de um estatuto especial para a protecção das embarcações típicas do Tejo.
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O trabalho que deste então foi desenvolvido permitiu catalisar, ao longo do tempo, um conjunto de iniciativas no domínio atrás referido, e, já durante a edição da Nauticampo 2008, durante a visita ao stand da ANMPN/CNM de Sexa. o Secretário de Estado da Defesa Nacional dos Assuntos do Mar (SEDNAM), aproveitámos a oportunidade para expor a nossa visão sobre a necessidade de preservação das Embarcações Típicas do Tejo, as quais, para além de terem tido um desempenho relevante durante o período da Expansão, especialmente no transporte de apoio logístico aos navios que, partindo de Lisboa deram novos mundos ao mundo, intervieram em acontecimentos determinantes na História de Portugal, como foi o caso das invasões francesas.
Chamaram-lhes a «Marinha do Tejo», a qual vem sendo perpetuada até aos dia de hoje, por homens humildes que navegando, construindo e reparando, mantêm viva a soberania sobre os saberes. |

Momento fundador da Marinha do Tejo,
na Nauticampo 2008 |
O reconhecimento do valor e dimensão da «Marinha do Tejo» conduziu a que Sexa. o SEDNAM, através do Despacho nº 15899/2008, de 11 de Junho, consagrasse os princípios orientadores para a constituição de um pólo vivo do Museu da Marinha para a preservação do significado histórico da «Marinha do Tejo». Este instrumento foi, reconhecidamente, um valioso contributo para dinamizar a sua acção e realçar aspectos verdadeiramente notáveis que reflectem bem a nossa identidade nacional e o que há de mais genuíno nas nossas populações ribeirinhas.
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Cerimónia do Reencontro da «Marinha do Tejo»,
no Cais da Moita |
Foi na sequência do referido despacho que, no dia 28 de Junho de 2008, se realizou a cerimónia do Reencontro da «Marinha do Tejo» no Cais da Moita, onde Sexa. o SEDNAM e o Senhor Almirante CEMA referiram a importância histórica da «Marinha do Tejo», saudando os promotores do seu renascimento e afirmando a disponibilidade da Marinha para através do Museu, continuar a apoiar os seus propósitos, na plena certeza de estarem a contribuir não só para o reconhecimento público de uma entidade com uma história rica mas ainda pouco conhecida, mas também, para que os cidadãos sintam a relevância do mar no seu provir.
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A cerimónia na Moita ficou concluída com a assinatura do Livro de Registos pelos proprietários e arrais das 40 embarcações participantes, que receberam a sua caderneta da «Marinha do Tejo».
As embarcações com tripulações e convidados deslocaram-se de seguida, em desfile, para a Doca da Marinha, onde o Senhor Almirante CEMA ofereceu um almoço de confraternização.
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SEDNAM e CEMA (ao leme) na Canoa Ana Paula,
a caminho da Doca da Marinha.
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Chegada à Doca da Marinha das Embarcações da «Marinha do Tejo»
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O Livro de Registos, bem como uma embarcação típica (Catraio), foram entretanto entregues ao Museu de Marinha e, a 4 de Out. 2008, dia que em teve lugar a Real Regatta de Canoas, foi inaugurado naquele Museu, o Pólo Vivo da «Marinha do Tejo».
Dado que, durante esta fase de arranque, não foi possível o estabelecimento de um “Grau de Conformação” para cada uma das embarcações inscritas no Livro de Registos, uma Comissão nomeada por Sexa. o SEDNAM e presidida pelo Senhor Almirante Castanho Paes representante da Academia de Marinha, e da qual fizeram parte o Sr. Alm. Bastos Saldanha representante da Sociedade de Geografia de Lisboa, |

Inauguração do Pólo Vivo da «Marinha do Tejo»
no Museu de Marinha |
os Presidentes da Associação Naval Sarilhense, do Centro Náutico Moitense e da Associação dos Proprietários e Arrais das Embarcações Típicas do Tejo (APAETT), o Sr. Cte Rodrigues Pereira Director do Museu de Marinha e o Sr. Cte Caetano Silveira Capitão dos Portos de Lisboa e Cascais, esteve a trabalhar na preparação do Regulamento de Conformação das Embarcações Típicas do Tejo, o qual, ficou concluído a 9 de Dezembro, tendo o mesmo sido aprovado por Sexa. o SEDNAM a 10 de Dezembro.
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Prof. Carvalho Rodrigues (APAETT), Dr. João Mira Gomes (SEDNAM),
Alm. Silva Carreira (em representação do CEMA) e Alm. Castanho Paes,
presidente do Júri da Real Regatta de Canoas, na Praia de Pedrouços,
durante a Largada da Regata.
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No dia 22 de Dezembro de 2008 foi criada a «Associação Marinha do Tejo» e eleitos os respectivos Corpos Sociais, a qual, tomou em devida consideração nos seus estatutos, os termos do Regulamento ora concluído, através da sua Comissão de Avaliação. Entretanto, por Despacho do Senhor Capitão do Porto de Lisboa, tendo em conta os Estatutos da «Associação Marinha do Tejo» e atento o estabelecido no artigo 2º do DL 12/97, foram isentas da “Taxa de Farolagem e Balizagem”, durante o período de um ano, as quarenta embarcações típicas do Tejo inscritas no Livro de Registos da Marinha do Tejo em Junho de 2008.
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| Assim, durante o 1º Semestre de 2009, os proprietários que pretendam que as suas embarcações típicas do Tejo façam parte, ou continuem a fazer parte da «Marinha do Tejo» durante o próximo período (Jul.2009 a Jun.2010), deverão submetê-las à Comissão de Avaliação da «Associação Marinha do Tejo», e apenas aquelas com Grau de Conformação igual ou superior a 50% serão aceites (salvo medidas transitórias para as que se encontrem inscritas no presente período). |

Dr. João Mira Gomes (SEDNAM)
e Alm. Silva Carreira (em representação do CEMA)
a bordo da Lancha da Polícia Marítima no
acompanhamento da Real Regatta de Canoas |
Este Regulamento e o respectivo procedimento a ser estabelecido pela «Associação Marinha do Tejo», vão constituir assim um instrumento fundamental para a manutenção e desenvolvimento da «Marinha do Tejo», dignificado a sua história e enaltecendo o trabalho de homens humildes que, no seu dia a dia, defendem a “Soberania sobre os Saberes”.
Saudações Náuticas,
Paulo Andrade
presidente@anmpn.pt
in "Hidrográfico" @ Fevereiro 2009
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Poderá obter o exemplar do Nº2 da Revista Hidrográfico, na sua totalidade, clicando no Link abaixo.
Saudações Náuticas,
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