- © 2010 ANMPN -
Associação Náutica da Marina
do Parque das Nações


 
Cursos de Vela
Cursos de Vela
BMW Sailing Academy
Informações: 2009.12.05

"De volta ao Tejo" - in "Notícias do Parque" @ Dezembro 2009.

Conforme divulgado n0 nosso artigo de 12 de Outubro a ANMPN apoiou a realização do Cruzeiro contra a Indiferença. A iniciativa, que teve lugar no dia 17 de Outubro, uniu através de um cruzeiro no rio a Marina do Parque das Nações à Aldeia Avieira das Caneiras (Santarém) e teve a participação de cerca de uma centena de pessoas.

A Jornalista Inês Lopes do NOTÍCIAS DO PARQUE acompanhou o Cruzeiro a bordo da embarcação do Presidente da ANMPN, e o resultado está patente na excelente reportagem que veio publicada na edição do NP de Dezembro, que transcrevemos abaixo na íntegra para conhecimento dos nossos associados e visitantes do Site.

Valada


O NOTÍCIAS DO PARQUE acompanhou o Cruzeiro Contra a Indiferença que ligou a Marina do Parque das Nações à aldeia avieira de Caneiras, junto a Santarém. Esta iniciativa foi a oportunidade ideal para conhecer melhor o Projecto de Candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional.

Embarcacoes junto a Salvaterra
Passagem junto à Palhota

 

O Tejo tem direitos, não somos nós”, é desta forma que Luís Cosme, pescador e descendente de Avieiros, coloca a questão. O rio ocupou sempre o primeiro plano na vida destas gentes. Ao longo das suas margens, vão surgindo pequenas aldeias palafíticas. Muitas delas votadas ao abandono, degradadas e desertas. Em Póvoa de Santa Iria encontramos o primeiro aglomerado de pequenas construções erguidas sobre estacas habitadas pelos Avieiros, povo celebrizado pelo escritor Alves Redol.

Os Avieiros partiram de Vieira de Leiria no final do século dezanove, em direcção ao Tejo. Perante condições muito adversas durante os meses de inverno que impossibilitavam a pesca no mar, encontraram nas águas do rio e na pesca do sável, um refúgio e uma forma de sobrevivência. Com o passar dos anos aquilo que constituía uma migração sazonal ganhou outras características e começaram a estabelecer-se em pequenas comunidades ao longo das margens do Tejo. A ligação ao rio e ao barco foi sempre muito estreita como refere Maria Luísa Vieira, “dantes muitas senhoras tinham as crianças dentro dos barcos”.

 

Casa Típica Avieira nas Caneiras
Entrevista a Pescadores

 

Aos 77 anos continua a viver em Caneiras e ainda se dedica à pesca da lampreia. Recorda a vida dura de anos no rio e congratula-se com o facto de os seus descendentes terem outras oportunidades. O neto, Miguel Pelarigo, mora em Santarém mas salienta que cada vez há mais gente a regressar à terra e a recuperar as casas de família. Muitos procuraram melhores condições de vida noutras paragens. Fernando Pelarigo, 64 anos, saiu de Caneiras ainda jovem, mas gosta de dizer que apenas deixou de lá morar, “já não moro aqui, mas tenho cá uma palafita”. A ligação ao rio nunca a perdeu porque como refere “quem nasceu aqui, quem viveu o rio, quem andou no rio nunca mais esquece”. Este descendente de Avieiros é um dos grandes entusiastas do Projecto de Candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional, liderado pelo Instituto Politécnico de Santarém (IPS).

Aproveitando as sinergias deste Projecto foi apresentada candidatura ao Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos (no âmbito do QREN), através de um Consórcio que envolve trinta e nove instituições e cinquenta e seis projectos, dois dos quais da responsabilidade da Associação Náutica da Marina do Parque das Nações (ANMPN).

Um dos projectos, de “Assinalamento Marítimo” visa assegurar condições de segurança para a navegação de recreio e marítimo turística no Tejo, no troço entre Vila Franca de Xira e Porto de Muge. Este foi, aliás, um dos principais problemas que se colocaram no cruzeiro a Caneiras. A falta de balizamento durante o percurso criou muitos inconvenientes a todos os que se dispuseram a fazer este passeio.

Como refere o presidente da ANMPN, Paulo Andrade, “até Vila Franca há balizas porque a responsabilidade é do Porto de Lisboa, mas de Vila Franca para cima não existe qualquer balizamento”. No entanto, salienta que “o nosso Projecto não se fica apenas pelo balizamento, pois este terá de ser acompanhado pela colocação de teias de amarração para as embarcações nos diferentes locais, bem como, de pontões que permitam o acesso a terra, nomeadamente, junto às aldeias avieiras. Só assim ficarão estabelecidas as condições necessárias para que a Rota Fluvial no Tejo seja uma realidade, e as pessoas possam desfrutar do prazer de navegar no rio, conhecer a sua extensa fauna e flora, e tomar contacto com a riqueza cultural associada às vivências das populações ribeirinhas”.

 

Mouchão dos Cavalos
Embarcações no Crepúsculo Matutino, junto ao Escaroupim

 

O segundo projecto da ANMPN vai permitir a criação de um Centro de Interpretação do Tejo, nas instalações do futuro Clube Náutico, na Ponte Cais da marina, e que conta com a adesão da Sociedade Marina do Parque das Nações com quem a ANMPN articulou este projecto. Com este contributo a ANMPN pretende promover o desenvolvimento da náutica de recreio e do turismo de vertente náutica no grande estuário do Tejo, funcionando a marina do Parque das Nações como um pólo de dinamização e divulgação dos cruzeiros no rio para os diferentes destinos no estuário.

A Marina está localizada no centro do estuário, e a criação de cruzeiros, quer para montante quer para jusante vai funcionar como catalisador para que, nos diferentes locais, sejam melhoradas as condições de acesso a terra que, neste momento, salvo raras excepções, é muito precária” refere ainda Paulo Andrade.

Nas palavras de Luís Cosme as medidas a tomar para revitalizar o Tejo podem agrupar-se em três vertentes “devolver a água ao rio, despoluí-lo e acabar com a pesca ilegal”. No que é acompanhado por Paulo Andrade que não se cansa de reivindicar um efectivo empenhamento das autarquias. Considera que o facto de estarem envolvidas no projecto é “uma forma de as responsabilizar”.

Aliás o papel das autarquias é fulcral, como salienta Lurdes Asseiro, presidente do IPS, “é fundamental as câmaras estarem integradas porque podem dinamizar e contribuir para a resolução de alguns problemas que se põem ao nível das próprias aldeias avieiras, por exemplo, o terreno onde estão edificadas as aldeias nem sequer está legalizado”.

A esperança é o sentimento dominante, mas como refere João Serrano, coordenador do projecto, os Avieiros são “fechados e muito desconfiados”. Esculpidos na dureza da vida no rio querem acreditar que a sua cultura, durante tantos anos esquecida, será finalmente reconhecida. Para João Serrano “este é um projecto de afectos” porque “o cheiro do Tejo, do barco e da maresia fica para o resto da vida”.

in "NOTÍCIAS DO PARQUE" @ Dezembro 2009.



Saudações Náuticas,

A Direcção da ANMPN

animated_gif
Click for Lisbon, Portugal Forecast

Clique aqui para pesquisar este Site,  ou a Web usando o
Click para pesquisar este Site ou a Web

AMCPN
Clique para aceder ao Site da AMCPN.
 
Calendário Eventos
Clique para ter acesso ao Calendário de Eventos
 
Registos da
Marinha do Tejo
Clique aqui para aceder a informação sobre a Marinha do Tejo
 
Marina do
Parque das Nações