A Marina do Parque das Nações, surgiu com a EXPO'98, tendo ficado na altura conhecida como a Marina da Expo. Convém lembrar o que, a propósito, estava referido num folheto de promoção da responsabilidade da Administração do Porto de Lisboa, distribuído durante a Expo98:
«Marina da EXPO'98 - 1ª fase. Sendo os oceanos o tema central da última exposição mundial deste século, a inclusão de uma Marina no perímetro do espaço expositivo, surge como evidente, fazendo parte do conjunto de equipamentos a manter em funcionamento após o encerramento da EXPO'98.
 |
A EXPO'98 constitui, assim, uma oportunidade para reabilitação de uma zona de Lisboa, degradada e muito carenciada. A par da criação de novos equipamentos e infra-estruturas de transporte de grande capacidade, como a Gare do Oriente e a nova travessia do Tejo, a Ponte Vasco da Gama, a EXPO'98 funcionará como polarizadora de novas áreas residenciais e de serviços, conferindo a esta zona de Lisboa a vida urbana que a caracterizará como parte integrante da cidade. |
| A Marina da EXPO'98 que presentemente se oferece numa 1ª fase, fica envolvida por um complexo onde se destacam o Oceanário, o Pavilhão de Portugal, o Pavilhão do Conhecimento dos Mares e o Pavilhão da Utopia, entre outros, que, para além do seu valor arquitectónico, serão animados por exposições temáticas e por numerosos eventos cultural e lúdico durante o período de funcionamento da EXPO'98.» |
 |
Após a Exposição Mundial, cedo se começou a fazer sentir as consequências dos erros do projecto que criou a Marina da EXPO'98. Efectivamente, o quebra-mar flutuante mostrou-se totalmente inadequado para suster a ondulação provocada pelos temporais e o constante assoreamento da Marina obrigava a dragagens frequentes, facto que se traduzia em alterações sistemáticas das posições de amarração dos utentes. Por outro lado, a inexistência de qualquer protecção ao efeito das correntes associadas às marés, dificultava a manobra das embarcações, limitando as saídas e entradas na Marina a um horário próximo do estofo da maré.
Nas fotografias à direita, tiradas durante o Festival dos Oceanos que decorreu em Agosto de 1999, um ano após o fecho da EXPO'98, é possível verificar que a zona da Marina junto ao Edifício Nau já se encontrava interdita devido a assoreamento, enquanto que a draga junto à entrada da Marina procurava assegurar as condições de navegabilidade no local. |
|
|
Finalmente, em Novembro de 1999, a Parque Expo tomou a decisão de substituir o Quebra-mar flutuante da Bacia Sul por um fixo, construído com base no "método clássico", ou seja, por enrocamento.
|
Durante o segundo semestre de 2000, os utentes foram transferidos para a Bacia Norte enquanto decorriam as obras relativas à construção do enrocamento do Quebra-mar da Bacia Sul. |
Em Dezembro de 2000, um temporal destruiu o Quebra-mar flutuante da Bacia Norte, provocando estragos quer nas embarcações, quer na infra-estrutura de suporte dos postos de amarração.
Face à situação verificada, e após a conclusão do Quebra-mar da Bacia Sul, a Parque Expo optou por substituir aquilo que ainda restava do Quebra-mar flutuante da Bacia Norte, por um idêntico ao efectuado na Bacia Sul, ou seja, através de enrocamento.
As embarcações que se encontravam na Bacia Norte, pertencentes aos legítimos proprietários dos postos de amarração, recusaram-se a sair do local enquanto a Parque Expo não assumiu (por escrito) que os seus direitos seriam acautelados na nova Marina, bem como, o pagamento do aluguer noutras marinas até ao início de actividade da Marina reconstruída. |
|
No processo que afectou a Marina Expo, os proprietários dos postos de amarração foram inicialmente tratados como "parentes pobres". As várias entidades envolvidas pareciam ter-se esquecido que, para além do direito ao usufruto dos seus postos de amarração, os actuais proprietários serão os principais dinamizadores da actividade da nova Marina, ou seja, são condição necessária para que uma Marina exista e possa florescer no espaço do Parque das Nações, como polo dinamizador da actividade Náutica e do gosto pelos Oceanos, perpetuando o tema da EXPO'98.
A morosidade com que todo este processo foi conduzido, agravou as condições ambientais em ambas as bacias, dando uma imagem de desleixo e desmazelo aos milhares de visitantes daquele local.
A 11 de Abril de 2002, a Direcção da ANMPN foi recebida pela Parque Expo, SA. Nessa reunião, foi manifestada a intenção de ambas as partes, de trabalharem em conjunto para a resolução dos problemas que afectavam a Marina, evitando tanto quanto possível a via litigiosa. Tratava-se do futuro da Marina que está em jogo, como local de lazer e polo dinamizador de actividades náuticas na área do Parque das Nações em termos de Qualidade, Segurança e respeito pelo Meio Ambiente, dignificando aquele local como uma referência em termos de lazer.
A Plataforma de Entendimento, que decorreu das reuniões levadas a cabo entre a Direcção da ANMPN e o Conselho de Administração da Parque Expo'98 SA, permitiu chegar a acordo sobre a saída das embarcações da Bacia Norte para as Docas da APL, permitindo assim à Parque Expo concluir a obra do quebra-mar.
A partir desta data, o processo arrastou-se por cinco longos anos, devido a dificuldades de entendimento entre a Parque Expo e os accionistas da Concessionária "Marina do Parque das Nações". A degradação do local foi uma constante e a marina passou a ser conhecida como "O Maior Tanque de Lama da Europa". O detalhe desde cinco anos de avanços e recuos está amplamente descrito na Secção "Informações" deste Site.
No dia 16 de Novembro de 2007, ou seja, cinco anos e meio depois do encerramento da marina e saída das embarcações, o Conselho de Administração da Parque Expo,SA anunciou, finalmente, a adjudicação da obra de reabilitação, estando o prazo de conclusão fixado em 18 meses.
A intervenção, com um custo global de 10 milhões de euros, prevê o fecho da Bacia Sul, através de um sistema de comportas, a criação de um anteporto e a impermeabilização dos molhes e fecho de toda a extensão da ponte-cais. A bacia sul da Marina será adaptada para poder receber 580 embarcações - mais 80 do que as inicialmente previstas – de 10, 12 e 15 metros.
Foi ainda contemplado no projecto a utilização da ponte-cais de Cabo Ruivo para serviço de cruzeiros turísticos, aproveitando o potencial oferecido pelo Parque das Nações.
Posteriormente a marina poderá ser alargada à Bacia Norte, já objecto de uma operação de dragagem que terminou em Outubro 2007, com a instalação de um número de postos de amarração que poderá oscilar entre os 250 e os 350.
Em baixo a Maquete do Projecto da Marina, que deverá entrar em funcionamento no Verão de 2009.
| |
|
| |
Para acesso a outras imagens do Projecto da Marina, veja o seguinte Álbum |
|